Capital, Março de 15

.

.

.

.

.

.

Mais umas linhas. Poucas para o tanto que tenho para te dizer, talvez tanto do que não houve tempo para te cuspir naquela altura e que diferença nenhuma faría já que estavas determinado em ir-te.


Continuo sem saber de ti, mas sei que me recebes, apenas calas a certeza da minha razão. Eu entendo. Custa aceitar perder, não é? Não respondas. Retórica, já o sabes. São as retóricas que agora fazem o meu dia mas teimo em sonhar e em escrever-te a achar que um dia mesmo envergonhado de sol, tu terás o gesto de me dizeres eu sei, apenas isto, que sabes. Eu também.Talvez não te apercebas do que estás a perder. Além da macieira florida o meu cabelo cresceu de novo, longo como tu gostavas dele, um quase véu que me cobría a linha das costas, aquela que divide a meio e onde tu gostavas de distraír os dedos... Um dia vais saber que sabes.


Ainda não é hoje que te mando um beijo. Primeiro tens de lembrar a que sabía.

.

.
(Março/2008)

Capital, Março de 14

.

.

.



.

.
Não tenho recebido noticias tuas. Não te sei. Tão pouco se das minhas recebes o gesto que deito na mão embrulhada neste papel e em que desenho oblíquo saudades rebuscadas no mais infimo tique que me deixaste. Sabes, por aqui a Primavera já me canta, a macieira que plantaste e que mirrada se manteve tanto tempo explodiu numa felicidade em flor, cores de açúcar, um quase adoçar da tua ausência, talvez tenha esperado que te fosses para depois se exibir.


Não sei de ti já to disse, e volto a este emaranhado de ideias sem assento nem pontuação onde não sei onde parar para respirar nem marcar a traço ponteado a exclamação interrogada onde pudesse, quem sabe, gritar por ti.


Como não te sei não mando beijos. Talvez se perdessem em lábios famintos.

.

.
(Março/2008)